
Danilo Alves da Silva
Historiografia instrumental: arquivos, pesquisa e produção interdisciplinar do conhecimento histórico
Faz parte das memórias do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, não sei se tão divulgadas hoje, os fatos ocorridos quando da chegada de muitos docentes que vieram se instalar em João Pessoa para trabalhar na instituição e executar os planos do, então Reitor, Lynaldo Cavalcanti. Ouvi e vivenciei as disputas políticas que se instalaram frutos daqueles anos de 1976 em diante e fui beneficiada pelas formas de pesquisa, ensino e extensão que se construiu no Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional – NDIHR, então, gerido por docentes daquele Departamento. O autor do livro que vem à público não se formou na UFPB, nem fez suas pós-graduações nesta instituição. Mas, como bom profissional, sabe que não é permitido ao formado em História se escusar de ler o tempo e, nele, como memórias, fatos, personagens, ações e pensamentos, formulam histórias. O que Danilo Alves entendeu falta a muito profissionais de História, infelizmente. Uma das polêmicas daqueles anos 70 é que, supostamente, a chegada de tantos brasileiros de outros estados estavam retirando um espaço importante de atuação para os paraibanos. Em 2026 o Brasil tem outra configuração em termos de programas de pós-graduações. Seria, como já era naquele momento, antirrepublicano defender que houvesse algum tipo de reserva de mercado em cada instituição de ensino superior para os nascidos em cada estado. Contudo, aos que viajam dentro do país para se candidatar a vagas e se fixam em estados ou cidades diferentes da sua origem ou formação, não deveria ser permitido deixar de conhecer a história da instituição que se incorpora, nem as especificidades da formação naquela localidade. Não por uma questão de respeito vazio ou bairrismo, mas pela necessidade de projeto institucional. Desconhecer os traços de formação das instituições de ensino superior, suas diversidades, os perfis construídos e suas memórias e histórias torna o olhar do profissional de História estreito e, inevitavelmente, leva a equívocos de atuação. Danilo Alves tem olhar largo e atento. Faz conexões. Ativo e incessantemente curioso, olha para todos os lados. Não se formou na UFPB, mas entendeu rapidamente que para prescrutar os caminhos que levam milhares de jovens no país a ansiar pela graduação e, muitas vezes, pela formação continuada na pós-graduação, não deveria se satisfazer com as histórias homogeneizadas das nossas universidades e descobriu um projeto inovador e apagado pelas narrativas hegemônicas. Por isso, ler este livro, nos leva a querer olhar novamente para as instituições das nossas cidades. Será que todas são iguais? Será que “só” formam profissionais? Será que em todo o tempo em que existem tiveram sempre o mesmo modelo? Será que estudantes, professores e técnicos têm as mesmas memórias? Será que essas instituições interferiram na vida de quem nunca nem adentrou seus espaços?
Partindo do pressuposto que todo estudo traz novas perguntas ouso dizer que esta é uma obrigação de um trabalho como esse. Contudo, como já afirmei antes, o diferencial deste é que o autor chama a atenção de toda a categoria de profissionais de História para refletir sobre a absoluta responsabilidade de compreender que problematizar memórias e escrever histórias das suas instituições de trabalho é dever de ofício para que projetos institucionais sejam confeccionados de forma a, valorizando a ciência, combater colonialismos acadêmicos e valorização dos saberes múltiplos que, para nossa felicidade, constitui a sociedade brasileira.
