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Celeste Maria da Rocha Ribeiro
Romário Duarte ​
Sanches

Atlas linguístico do Amapá - Vol. 2 

O percurso dos trabalhos e estudos na área dialetológica no Brasil vem se desenvolvendo desde 1826, com Domingos Borges de Barros, mas ganha impulso sobretudo na segunda metade do século XX, quando passam a se intensificar investigações voltadas a evidenciar, de forma mais sistemática e minuciosa, as realizações linguísticas presentes no falar brasileiro, de norte a sul do país. Nesse cenário, destaca-se o interesse pela organização e publicação de um atlas linguístico nacional, viabilizado a partir da consolidação de atlas estaduais e regionais publicados no país desde a década de 1960.
A trajetória cronológica desses primeiros atlas inicia-se com a publicação do Atlas Prévio dos Falares Baianos – APFB (Rossi, 1963), seguido do Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais – EALMG (Ribeiro et al., 1977), do Atlas Linguístico da Paraíba – ALPB (Aragão; Bezerra de Menezes, 1984), do Atlas Linguístico de Sergipe – ALS (Ferreira et al., 1987) e, por fim, do Atlas Linguístico do Paraná – ALPR (Aguilera, 1994).
O ano de 1996 constitui um marco na história da Sociolinguística e da Dialetologia brasileira com o lançamento do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), em Salvador (BA), ocasião em que foram definidos os objetivos do projeto e instituído um comitê científico, presidido pela professora Suzana Cardoso. Os desafios metodológicos, bem como as limitações de recursos humanos e financeiros inerentes a um projeto da dimensão e abrangência do ALiB, demandaram 18 anos para sua concretização. Assim, somente em 2014, na Universidade Estadual de Londrina, foram lançados os dois primeiros volumes do Atlas Linguístico do Brasil (Cardoso et al., 2014a; 2014b), contemplando dados das capitais brasileiras. O terceiro volume do ALiB, intitulado Atlas Linguístico do Brasil: comentários às cartas linguísticas 1 - v.3, foi lançado em 22 de novembro de 2023, durante o 15º WorkALiB, na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). 
Convém ressaltar que a publicação do ALiB tem sido um importante modelo e instrumento de pesquisa que impulsionou o crescimento da produção e publicação de atlas estaduais e regionais, cujo número passou de cinco para quatorze nesse período, além de diversos atlas de pequeno domínio e projetos ainda em andamento, contemplando unidades da federação em todas as regiões do Brasil.
É nesse contexto que se insere o Atlas Linguístico do Amapá - ALAP (Razky; Ribeiro; Sanches, 2017), em seu primeiro volume, cujo foco central foi descrever e mapear o português brasileiro falado em dez localidades do estado, evidenciando a variação linguística nos níveis fonético-fonológico e semântico-lexical. O ALAP foi concebido segundo o método geolinguístico pluridimensional (Cardoso, 2010), tendo como principal referência o Projeto ALiB (Cardoso et al., 2014). Publicado em 2017, o primeiro volume do ALAP apresenta as variantes fonéticas e lexicais mais frequentes, organizadas conforme a ordem de ocorrência.
Após a publicação desse primeiro volume, observa-se uma ampliação significativa dos estudos em Dialetologia e Sociolinguística no Amapá, expressa no aumento de artigos científicos, monografias, capítulos de livros, dissertações e teses. A maior parte dessas pesquisas concentra-se na variação lexical, embora também haja estudos voltados à variação fonética e, em menor escala, à variação morfossintática (Sanches, 2021; Sanches, 2025).
Nesse percurso de produção científica, no âmbito do primeiro volume, inicia-se, em 2023, a construção do segundo volume do Atlas Linguístico do Amapá – ALAP, cujo objetivo é descrever, mapear e analisar dados linguísticos não publicados anteriormente, especificamente 81 itens lexicais. O projeto que deu origem a esse segundo volume foi inicialmente registrado na Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e, atualmente, encontra-se vinculado a dois grupos de pesquisa: o Grupo de Pesquisa Atlas Linguístico do Amapá – ALAP (UNIFAP) e o Grupo de Estudos Dialetais, Gessociolinguísticos e Etnográficos – GEDGE (UNIFAP), integrado à linha de pesquisa Descrição do Português Amazônico, que congrega estudos variacionistas sobre aspectos morfossintáticos, semântico-lexicais e fonético-fonológicos do português falado na Amazônia brasileira, em contextos urbanos, rurais e em comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ribeirinhas, entre outras).
Até a publicação deste segundo volume, foram desenvolvidas quatro etapas: encontros formativos, oficina de cartografia linguística, organização dos mapas linguísticos e divulgação dos resultados. As cartas lexicais publicadas no primeiro volume do ALAP foram numeradas de L01 a L73; assim, respeitando-se a sequência numérica, o segundo volume compreende as cartas de L74 a L154.
Diante do exposto, apresentamos o segundo volume do ALAP, reafirmando a importância da divulgação de resultados que evidenciem a realidade linguística da Amazônia amapaense. Acredita-se que, a exemplo do primeiro volume, este atlas cumprirá seu objetivo ao possibilitar um conhecimento mais detalhado e contextualizado da área investigada, evidenciando variantes que refletem realizações peculiares, relacionadas tanto à origem do lugar quanto ao perfil sociolinguístico de seus falantes. Reafirma-se, desse modo, que língua e cultura se encontram intrinsecamente articuladas, constituindo elementos centrais da história social das comunidades e do desenvolvimento sociocultural de regiões e do país.
As cartas que compõem este segundo volume são predominantemente de natureza léxico-semântica e contemplam diferentes campos semânticos, dando continuidade ao mapeamento dos usos linguísticos do falante amapaense nas dez localidades investigadas. Destaca-se, ainda, que este volume ratifica a afirmação de Cardoso (2010), segundo a qual “a dialetologia no Brasil está, de fato, não só viva, mas operante”. O Grupo ALAP manifesta-se honrado e motivado por integrar esse movimento, reafirmando seu compromisso acadêmico-científico e social, especialmente com a sociedade amapaense, por meio da publicação e divulgação dos resultados materializados nas 81 cartas lexicais que compõem este segundo volume do Atlas Linguístico  do Amapá.

Editora Cabana

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