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Claudia Daiane Molet
Jonas Moreira Vargas
Natália Garcia Pinto

Histórias de escravidão e liberdade no extremo sul do Brasil meridional (século XIX)

Este livro compreende um conjunto de textos que reúne pesquisas bastante recentes a respeito da história da escravização de africanos e de seus descendentes no Rio Grande do Sul. Na realidade, os capítulos que compõem a presente obra estudam especificamente os municípios localizados na fronteira sul do Rio Grande do Sul, região que as organizadoras e o organizador do livro chamam de o “extremo sul da fronteira” ou, mais informalmente, de “o sul do Sul”. No final do período monárquico, essa região era composta pelo município de Rio Grande, cuja sede da vila havia sido fundada em 1737, e os de Pelotas, Jaguarão, Canguçu, Piratini, São José do Norte, Arroio Grande, Santa Vitória do Palmar e Bagé, todos eles desmembrados do primeiro. Rica em pastagens e vias fluviais, a região ligava-se ao Atlântico por meio do canal do São Gonçalo, rio que se tornou fundamental para a exportação e importação de mercadorias e a entrada e saída de pessoas.
Mas qual a justificativa para a publicação de uma obra trazendo textos específicos sobre essa região? Ao longo das páginas do presente livro pretendemos demonstrar que tal território constituiu-se em uma das áreas mais escravistas de todo o Brasil. Apenas para darmos um exemplo, cerca de 51% da população de Pelotas em 1833 era escravizada. Esse índice se repetia em outros municípios. Em Bagé, quase 30% da população recenseada em 1846 era cativa. Em 1814, esse índice atingiu os 41% em Piratini, enquanto que em Jaguarão, em 1833, ele ultrapassou os 46%. Tal percentual de pessoas negras escravizadas frente à população total era comparável ao de outros municípios brasileiros que produziam açúcar e café e que são tradicionalmente conhecidas como os mais escravistas do Brasil. Em Pelotas, no mesmo mapa populacional de 1833, apenas 35% da população foi classificada como branca. Entre os escravizados, cerca de 2/3 eram africanos, evidenciando a dependência do tráfico de africanos escravizados para a região. Portanto, é sobre esses territórios que o presente livro trata e estudá-los de forma mais aprofundada também é estudar a escravidão no mundo atlântico.

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